31.10.10

Sobre super heróis.



Sexta feira. Assistindo a um episódio da série "Criminal Minds", no meio de toda a confusão de serial killers, havia um rapazinho de 6 anos, que se via às voltas para escolher a fantasia de Halloween. Optou pela do Spider Man, queria a fantasia de um super herói. No último minuto do episódio, ele está pronto para sair, recolher doces e brincar ao "trick or treat", mostra-se ao pai e este foi o pequeno diálogo:


"Dad: uou, that is definitely not spiderman...
Kiddo: he's not a real super hero...
Dad: he's not? ok, I give up, who are you supposed to be?
Kiddo: i'm you daddy..."


Por um instante segurei uma lágrima e deixei escapar um sorriso absurda e pateticamente apaixonado por aquela criança. E senti uma igualmente patética inveja do talento fácil que as crianças têm pra eleger quem vale (realmente) a pena.
Quando somos crianças, quando temos crianças, recheamos e somos recheados de fantasia, de super heróis que têm poderes de todo o tipo menos humanos. Que tomam sempre a decisão certa, que não cometem erros, que vencem sempre no final (porque o bem sempre vence o mal), que nunca agem fora dos princípios e valores, que nunca perdem a força, que são sempre leais e de carácter incontestável. Recheamo-las de todos esses super heróis porque os achamos um melhor exemplo das qualidades que queremos que eles interiorizem como seres humanos. Queremos protege-las da decepção, das almas desalmadas que há por aí. Queremos que elas sejam fortes, que sonhem, que voem atrás do que os completa. E achamos, acima de tudo, que elas compram essa versão de perfeição. Quando na verdade, elas são muito mais inteligentes do que isso, muito mais sensitivas. Pra elas, os heróis que têm graça de verdade, são os que elas podem tocar, os que se sentam à beira da cama e fazem o pesadelo ir embora, os que magicamente consertam o brinquedo quando elas o deixam cair sem querer e sentem o coração em tantos pedaços quanto os que vêem no chão, os que metem os pés pelas mãos de vez em quando e as olham nos olhos e dizem "agi errado e tens o direito de ficar zangado, desculpa", os que valorizam o que elas sentem, os que não acham coisa-de-criança o que elas pensam, os que acreditam junto com elas que podem fabricar o maior bolo de chocolate do mundo (e se deixam pintar de calda de chocolate na mesma medida), os que as fazem sentir mini heróis também quando não escondem que estão tristes e elas podem dar um beijinho no dó-dói pra fazer passar.
Esses são os heróis com o poder de lhes ensinar que ser super herói é pura e simplesmente conseguir ser humano. Ser com todos os sins, nãos, erros, acertos, decepções (sim, porque infelizmente no mundo real nem sempre o bem vence o mal) sonhos, lágrimas e sorrisos a que se tem direito!


Go, and be a real hero (:



elle.

30.10.10

Sobre recomeçar


Voltar ao início, confiar que ainda há tempo. Aquelas vezes em que se vai a meio do caminho, e a metade que ainda falta não nos faz sorrir a alma. Re-escrever. Re-criar. Re-pensar. Re-sonhar. Re-pintar. Re-querer. Re-ser. Acontece. Apagar o que está escrito a lápis e reescrever a primeira linha como se fosse a primeira vez que se encosta no papel. Pressionar a "backspace" até que mais nenhum caracter reste no ecrã.

Começou a pintar a parede do quarto de verde-lima, a meio e com 3 latas de tinta à espera de serem usadas, pára tudo porque um vermelho daria muito mais a energia que se procurava. Vai, compra tinta branca pra passar por cima do verde-lima e mais 4 latas de tinta vermelha. E re-começa a trabalhar na parede, até que ela fique com a cor que sentes.

Acredito em sentir, acredito em fazer o que se sente e não o que o consciente diz que é o certo sentir. Não que o Grilo que ajudou o Pinóquio deixe de ter importância. Mas às vezes, sinto que a nossa consciência está cada vez mais consciente, a cada vez ligada demais à realidade cheia dos "tem-que", "devia ser" e "certo seria". Acredito que tem que haver uma pitada de realidade em tanto sentir, e não o oposto.
Acredito em pessoas que passam anos a trabalhar em Direito e sem que ninguém perceba como nem porquê, descobrem a vocação em Gastronomia. E fazem as malas.

Acredito em quem tem o despeito de recomeçar do nada. Em quem se dê ao direito de ser fénix. E renascer. Renascer tantas vezes quantas forem precisas. Renascer sempre que se deixe de sentir o que se vive.

Se não sentimos, então não está certo.



elle.

5.9.10








"Like a perfect flower
That is just beyond your reach
Gone too soon

Born to amuse, to inspire, to delight
Here one day
Gone one night

(...)

Gone too soon..."

Michael Joseph Jackson


Palavras-chave:

Sorriso. Coração. Abraço. Calor no abraço. Café batido. Olhar cúmplice. Canção a meio da tarde. Denzel Washington. Espuma doce. Colo. Cafuné. Batata palha. Mimo. Sonho. "Pára de fumar, faz-te mal.". Cores. Vozes. Harmonia. "Deita pra fora o que sentes, não o guardes dentro de ti". Coração de manteiga. "Ah! Apanhei-te! A fumar às escondidas". Gargalhada. "Que nada, foi o último, prometo.". Empatia. Apego. Força. "Um dia caso-me com o Nelson Mandela". Rir pra não chorar. Choro a duas no final do filme. Suporte. Amor. Incondicional. Presença. Sintonia. A manhã que era pra ter sido e não foi. Tempo. Saudade. Tu. Eu. Tu em mim. Sempre.


Your look in my eyes.
The sound of your laugh in my heart.
I miss you.